A mulher no mercado imobiliário: como é ser corretora de imóveis no Brasil

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Saiba o que tornou a profissão possível para mulheres e quais são os desafios que persistem, como estereótipos de gênero e dupla jornada

Pode parecer mentira, mas ser corretora de imóveis antes de 1958 era ilegal. Isso mesmo: há meras seis décadas, o papel profissional da mulher no mercado imobiliário nem existia oficialmente!

Isso só mudou com a alteração do artigo 37 do Código Comercial Brasileiro, por decisão da justiça. Em 2020, felizmente, o cenário é outro: as corretoras hoje cumprem um papel essencial e constantemente derrubam as barreiras pelo caminho.

A participação da mulher no mercado imobiliário

Uma pesquisa de 2013 do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) apontou que, entre 2003 e 2013, o crescimento do número de mulheres na categoria foi de 144%.

A mesma pesquisa declarou que cerca de 30% dos corretores profissionais brasileiros eram do sexo feminino. Esses são os dados mais recentes em relação ao tema – e estão provavelmente defasados, visto que esse número tem tudo para ter crescido até os dias de hoje.

São dezenas de milhares de mulheres no mercado imobiliário que seguem na trilha de pioneiras como Marly da Silveira Ferreira, que começou em 1976 e foi a primeira presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Município do RJ, após quase 80 anos de funcionamento.

Em entrevista à Federação Nacional dos Corretores de Imóveis, ela se lembrou de preconceitos e dificuldades variadas, da discriminação à desatenção para atender as necessidades básicas da mulher profissional.

Um exemplo? A ausência de banheiros femininos em estandes de venda. “De lá para cá as coisas têm mudado muito e acho que não existem mais tantos problemas nesse sentido”, afirmou.

A mulher corretora nos dias de hoje

Para Eliana Ruballo, corretora da Leardi e Top Broker da Loft que ingressou na carreira há quinze anos, a profissão é uma boa opção para as mulheres, que são vistas como mais habilidosas para fechar negócio.

“Tinha aquelas coisas de empresa, como um ciúme quando uma pessoa nova entrava”, explica, sobre seu início. “Mas já tinha muitas mulheres e o pessoal costumava falar que elas vendiam melhor. Quando eu entrei, as campeãs de venda eram, em sua maioria, mulheres.”.

A profissão é ainda mais atraente agora, diz ela, quando há uma mudança geracional em curso e que quer eliminar a ideia de que elas precisam dar conta de tudo sozinhas.

Se quando Eliana começou seus colegas todos passavam dos 40 anos, hoje há diversos rostos mais jovens atuando e mudando a mentalidade vigente.

“Ainda temos um caminho longo pela frente, mas está mudando”, fala Eliana. “Hoje as corretoras têm outra cabeça e dividem os afazeres [com a família]. Isso ajuda muito porque a pessoa não fica com tudo – pensar no uniforme das crianças, na comida, na lição – nas costas dela.”

Os principais desafios enfrentados por elas

Estereótipos de gênero

Segundo a Impulso Beta, organização focada em oferecer soluções para a equidade de gênero dentro das empresas, os estereótipos de gênero são ligados às expectativas comportamentais e exigências que a sociedade tem para mulheres.

Eles estão presentes no mercado de trabalho como um todo e atuam como barreiras para as profissionais do sexo feminino. Entre os mais comuns estão:

  • Barra mais alta: visível principalmente quando se trata de reconhecimento e promoções; enquanto homens são reconhecidos e/ou promovidos por mostrarem potencial, as mulheres conseguem o mesmo quando já comprovaram seu valor
  • Corda bamba: é o julgamento constante do comportamento da mulher no ambiente de trabalho, que é chamada de “mandona” ao ser firme e direta ou “boazinha” ao ser colaborativa e gentil
  • Cabo de guerra de gênero: quando se enxerga o ambiente profissional como um lugar de espaço e crescimento limitados, as mulheres entram em disputa entre si e temem as conquistas umas das outras, dentro da crença de que uma vaga ocupada é uma vaga a menos dentre as poucas que existem para elas
  • Barreira da maternidade: em uma entrevista de emprego, raramente se pergunta para um homem (com ou sem filhos) sobre os planos ou desafios de manter uma família e trabalhar ao mesmo. Para mulheres, essa pergunta é constante – reforçando uma visão de incompatibilidade entre ter ou querer filhos e ter alta performance no trabalho

Falta de estrutura

A licença-maternidade é uma conquista da lei trabalhista brasileira, mas não se aplica às mulheres que atuam como corretoras autônomas. Para essas profissionais, começar uma família envolve construir uma estrutura segura, financeira e profissionalmente – já pensando, por exemplo, em como voltar à ativa sem perder espaço ou clientes.

Essa mesma falta de estrutura se aplica à mulher no mercado imobiliário que já tem filhos, e precisa encontrar uma maneira de equilibrar todos esses pratos sem o auxílio de serviços corporativos ou do estado – frequentemente se desdobrando em mais e mais horas de trabalho.

Jornada dupla: (des)equilíbrio entre vida pessoal e profissional

Conciliar vida pessoal e profissional não é fácil para ninguém no mercado imobiliário, que muitas vezes impõe longos dias de trabalho (inclusive no fim de semana) para atender clientes em horários convenientes para eles.

Para as mulheres, que ainda fazem mais das atividades domésticas e cuidados com pessoas no Brasil, esse quadro é ainda mais desafiador. É a chamada dupla jornada de trabalho.

A pesquisa mais recente do IBGE mostrou que a média de horas semanais que mulheres que trabalham dedicam ao afazeres e/ou cuidados em casa é de 18,5 h. Entre os homens na mesma categoria, a média é de 10,3 h. Na prática? São 2 horas e meia dedicadas por dia, além da jornada regular de trabalho.

Como se destacar nesse mercado competitivo?

Para as profissionais que estão no início de carreira, o blog da Loft publicou um post com dicas para obter sucesso como corretora, que incluem:

  • Planejamento de carreira
  • Escolha de vínculo (trabalhar para uma imobiliária ou de forma autônoma?)
  • Aprofundar seus conhecimentos sobre o mercado
  • Aprender mais sobre retenção e prospecção de clientes

Elas se aplicam a corretores de qualquer gênero, visto que todos se beneficiam de melhorar cada vez mais e de forma constante.

Para a corretora de imóveis Jane Picanço de Farias Lima, que foi vice-presidente tanto do Sindimóveis do Amazonas quanto da diretoria da Fenaci na região Norte do país, é essa a barra que se deve ter em mente.

“Como toda profissão, ser corretora de imóveis, do Oiapoque ao Chuí, não é uma tarefa fácil em razão da oscilação do mercado, que exige cada vez mais um profissional qualificado, com conhecimento do produto que trabalha, bem como de tudo que envolve o mercado imobiliário e financeiro”, disse, em entrevista sobre o tema à Fenaci.

“O sucesso profissional depende dos objetivos traçados para si, agregado ao conhecimento. Ler, estudar, qualificar-se: essa é a chave do sucesso, concluiu.

Conclusão

Se há meio século ser corretora de imóveis era impossível para mulheres, hoje a situação é muito diferente: o número dessas profissionais está crescendo Brasil afora. Quando a profissão de corretora de imóveis no Brasil fizer um século, elas certamente terão muita coisa para contar!

Claramente, ainda há uma série de obstáculos que atingem a mulher no mercado imobiliário, todos ligados aos problemas de desigualdade e falta de equidade de gênero no mercado de trabalho de maneira geral.

Saber quais são e “dar nome aos bois” ajuda essas profissionais e seus colegas e clientes a se conscientizarem e superarem os desafios que surgem no cotidiano de forma eficiente, progressiva e duradoura.

Para a Loft, que trabalha constantemente a temática de igualdade de gênero entre seus colaboradores, as parcerias com corretoras e corretores de imóveis são essenciais para o sucesso do negócio e para revolucionar o mercado imobiliário.

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