psicologia-compra-de-apartamento

O que acontece no nosso cérebro quando compramos um imóvel?

8 MINUTOS DE LEITURA

Quais emoções e modos de pensar aparecem quando a gente faz um negócio grande e importante como esse? Vem descobrir!

Neste post, a gente vai para dentro da cabeça dos compradores de imóveis para entender como nosso cérebro processa um processo de compra desse tipo e como evitar cair em armadilhas mentais.

Afinal, comprar um apartamento é uma decisão emocional?

É, sim! E a intensidade desse componente emocional vai depender do seu perfil, se ele é mais analítico ou mais emocional. São experiências de compra bem diferentes entre si, com diferentes pontos de equilíbrio e atenção.

Um perfil mais analítico vai levar em conta muitos dados. Ou seja, vai demandar muita pesquisa e pensar longamente sobre as coisas.

Um perfil mais emocional entra num apê à venda para dar uma olhada e, se gostou, logo se vê colocando uma plantinha ali, lendo um livro acolá, colocando a cama desse ou daquele jeito. É super influenciado por memórias afetivas.

Um perfil mais analítico vai buscar os dados tipo o preço por metro quadrado e se está em linha com o que ele pesquisou antes. O receio é escolher a casa errada e perder dinheiro no processo. Por isso, esse tipo de pessoa já começa a busca por imóveis depois de uma boa dose de pesquisa inicial. 

Já o receio do perfil emocional é perder uma oportunidade que vai te deixar emocionalmente satisfeito, mesmo que algumas coisas tenham que ser modificadas ou deixadas de lado para isso.

Não existe um tipo certo e um tipo errado, já que os dois têm suas vantagens e desvantagens. O ideal é encontrar um meio termo: a pessoa mais analítica precisa se esforçar para se imaginar sendo feliz naquele espaço antes de comprar algo que faz sentido financeiramente e a pessoa mais emocional precisa fazer sua pesquisa financeira antes de se animar e dizer: “É esse que eu quero, traz os papeis!”

Sistema 1 e Sistema 2: os dois modos de pensar

Em 2002, o psicólogo e economista Daniel Kahneman ganhou o Prêmio Nobel de Economia por seu trabalho de pesquisa sobre economia comportamental e psicologia de julgamento e tomada de decisões. 

Os achados de Kahneman desafiam o senso comum de racionalidade humana e viraram um best seller chamado “Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar“. Nele, o autor explica que nosso cérebro se divide em dois sistemas de pensamento: 

  • Sistema 1: Rápido, intuitivo e emocional que acontece automaticamente, com pouco ou nenhum esforço
  • Sistema 2: Lento, deliberativo e mais lógico que requer esforço, concentração e foco

Embora eles se complementem naturalmente, tem vários momentos em que o Sistema 1 é mais rápido no gatilho e nos leva a decisões excessivamente emocionais e que causam problemas, inclusive financeiros – como comprar um apartamento se deixando levar demais pelos sentimentos.

Mas tem jeito! “O jeito de bloquear erros originados pelo Sistema 1 é simples, em princípio: reconheça os sinais de que você está num campo minado cognitivo, diminua a velocidade e peça auxílio ao Sistema 2”, escreve o autor. No vídeo abaixo, você confere um resumo didático da obra:

O que fazer se você é mais emocional e quer comprar um apê?

Para não fechar um negócio só porque você adorou, faça uma reflexão prévia e tenha pelo menos 3 coisas que seu imóvel absolutamente precisa ter, seja uma faixa de preço, número de quartos ou estar em um determinado bairro. Assim você consegue equilibrar seu entusiasmo com as suas necessidades.

Como se proteger dos impulsos e se assegurar de estar fazendo um bom negócio

Entenda a diferença entre valor percebido e valor de verdade

Com algumas latas de tinta e uma boa iluminação, um espaço que não é tão interessante pode fisgar um comprador mais incauto. O inverso também é verdade: um imóvel com grande potencial pode ser descartado por algo que seria resolvido com pouco dinheiro. 

Pesquise o mercado

Já decidiu comprar um apê? Conheça o metro quadrado médio da região e pesquise sobre suas vantagens e desvantagens (se vai abrir um metrô ali por perto nos próximos anos, se vai ter alguma grande obra, se tem escolas perto, se está subindo muitos prédios novos, etc.). Assim você evita ser levado pela emoção visceral de adorar alguma coisa.

Entenda se você quer mesmo ou só aspira a ter 

Não dá para negar que a compra de um apê tem uma ponta de status, de pensar no que ela representa para os outros. Então lembre-se de que isso é normal entre os humanos e pense em como não se deixar levar pelo que os outros vão pensar. (Comprar nesse bairro que você nem gosta tanto porque “todo mundo fala nele”, por exemplo.)

Aprenda mais sobre seus vieses mentais

Especialmente sobre o viés de confirmação, que é uma tendência humana a escolher ou aceitar as informações que concordam com a nossa opinião. Outro que pode aparecer é o viés de ancoragem, especialmente quando você está vendo vários apartamentos. Mesmo que nenhum deles seja o que você quer, é possível que um mais decente vire sua “âncora” e você acabe achando que ele é melhor do que realmente é. Para evitá-lo, vá descartando os apês ao longo do processo e sem medo. Sempre vai ter um outro imóvel legal por aí!

Por que as pessoas querem ser donas do próprio imóvel?

Quem pesquisa esse tema leva em conta uma necessidade evolutiva de estabilidade dos humanos. Ter uma casa sua pode oferecer isso, já que de certa forma você ganha “independência” dos acontecimentos do mundo lá fora: você tem a segurança de um teto, venha o que vier. 

Além disso, tem muita alegria e orgulho envolvido no momento de comprar um imóvel. É divertido e emocionante se imaginar naqueles espaços novos e assinar a escritura é uma grande marca na vida das pessoas. Vale lembrar que é super normal se essa alegria extra eventualmente passar: uma pesquisa que rolou na Alemanha ao longo de 16 anos com 3 mil pessoas identificou uma sensação maior de satisfação nos primeiros 5 anos depois da compra da casa.

É hora de comprar um apartamento? O que levar em conta para decidir

A principal pergunta a se fazer é: por que você quer comprar um apê? E a resposta provavelmente vai ser um conjunto de fatores.

Você pode ter uma motivação primária emocional, como sentir frustração ou desconforto no seu lar atual ou, por outro lado, sentir muito entusiasmo para ter uma nova experiência de vida e moradia. Também dá para ter uma motivação emocional mais prática, tipo sonho de reformar um espaço e sentir que isso, num aluguel, é jogar dinheiro fora. 

Mas antes de dar o salto, é importantíssimo lembrar que comprar um apartamento é uma grande decisão financeira. Mesmo que seja o caso em que a diferença entre pagar uma parcela do financiamento imobiliário e o aluguel mensal nem seja tão grande assim, você ainda vai pagar por anos, talvez até décadas. Então nada de impulso por aqui, ok? 

Algumas reflexões que você pode levar em conta:

  • Você quer um espaço seguro para sua família no longo prazo
  • Você quer aproveitar uma oportunidade de investimento (lembrando que morar no seu apê não é considerado exatamente um investimento, mas é seu patrimônio) 
  • Você tem condições financeiras de comprometer pelo menos ? da sua renda pelas próximas décadas (e sem deixar de ter um dinheiro separado para emergências)

E algumas perguntas legais para ter em mente:

  • Estou OK com me comprometer em ficar nessa área/bairro/região por vários anos?
  • Estou OK com gastar mais do meu salário? (Ter um apê seu significa fazer eventuais consertos e reformas, além de pagar impostos, custos fixos – e mais a parcela do financiamento)
  •  Vou ter boas condições de financiamento com meu perfil de crédito atual ou devo tirar um tempo para melhorá-lo antes de comprar um imóvel? (Aliás, a Loft te ajuda gratuitamente com isso!)
  • Já separei o dinheiro para a entrada (aproximadamente 20% do  valor final de venda) e os outros custos (entre 4-5% do valor final de venda) que precisam ser pagos à vista?

Leia também: Só olhando? Veja dicas para identificar boas oportunidades de apês à venda

Outros assuntos que podem lhe interessar

Assine nossa Newsletter
Assine nossa newsletter