O que é spread bancário e qual é seu impacto em financiamentos de imóvel?

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Você provavelmente já ouviu falar em spread bancário, uma expressão que volta e meia aparece em textos sobre o sistema financeiro. Mas muita gente ainda desconhece o que exatamente esse termo significa.

Saber o que é spread bancário é importante para entender o funcionamento dos bancos e sua “cobrança” de juros aos clientes. O spread se reflete nas operações contratadas pelos clientes, seja um cartão de crédito parcelado ou um financiamento de imóvel

Por isso, vamos explicar neste texto qual é a definição de spread bancário, como é que ele funciona na prática, qual é a diferença entre juros e spread bancário e como ele influencia até mesmo a compra do seu próximo imóvel. 

Neste artigo, você vai encontrar: 

  • O que é spread bancário?
  • Qual é a relação do spread bancário com a Taxa Selic?
  • Como calcular o spread bancário?
  • Spread bancário no Brasil: por que ele é considerado alto?

O que é spread bancário?

Spread bancário é a diferença entre o custo que o banco tem para captar recursos no mercado e o que esse mesmo banco recebe pelo dinheiro emprestado aos clientes. Ou seja: ele é a margem entre os juros que esse banco cobra em financiamentos, empréstimos, cheque especial e outros produtos financeiros e os que ele paga às pessoas que aplicam dinheiro na poupança ou em títulos de Certificado de Depósito Bancário.

A dinâmica é bem parecida com a de qualquer outro negócio que precisa comprar produtos e ganhar algum dinheiro na revenda desses produtos aos clientes. Pense em uma loja de roupas, por exemplo. Ela consegue comprar as peças direto dos fabricantes por valores mais baixos e vende essas mesmas peças aos clientes por um preço maior. Assim, consegue pagar seus custos de operação e ter algum lucro. 

O banco funciona da mesma forma: o spread serve para financiar suas operações de rotina (manutenção da sua estrutura física, funcionários e outros incontáveis custos), gerar lucro e cobrir a inadimplência de alguns clientes. 

O Banco Central, na cartilha “Juros e Spread Bancário”, explica que “é importante observar que o spread bancário não corresponde ao lucro auferido pela instituição financeira ao conceder o empréstimo ou financiamento”. 

De acordo com o Banco Central, “o spread deve ser compreendido como uma diferença de custos, que a instituição financeira utiliza para cobrir despesas diversas (despesas administrativas, impostos e provisão para o caso de inadimplência,

entre outras)”. 

Vídeo da Fecomércio explica o conceito de spread bancário

Qual é a relação do spread bancário com a Taxa Selic?

O spread bancário pode ser influenciado ou não pela Taxa Selic, e isso depende muito do comportamento do mercado. A Selic é uma taxa média de juros definida pelo Banco Central. Ela influencia diretamente os juros que remuneram os investidores e os juros cobrados em operações de crédito pelos bancos. 

Definida a cada 45 dias pelo Copom (Comitê de Política Monetária), essa taxa é baseada em indicadores financeiros do país. As decisões em torno da Selic servem para equilibrar a economia brasileira e evitar o descontrole da inflação. 

Como a rentabilidade da caderneta de poupança está atrelada à Selic e investimentos em renda fixa (incluindo os CDBs) também são influenciados pela taxa, quando a Selic diminui, o banco paga menos aos investidores. Só que ele pode ou não repassar essa queda para os consumidores, baixando também os juros dos serviços financeiros que oferece. 

Assim, se a Selic desce e o spread bancário aumenta, isso quer dizer que o custo do crédito não foi repassado ao consumidor, e não diminuiu. Se a Selic aumenta o spread cai, significa que o banco manteve o custo do crédito, não repassando a variação na taxa básica de juros aos seus clientes. 

Nos últimos anos, podemos dizer que a queda da Selic influenciou a queda dos juros de financiamentos imobiliários, por exemplo. Com a Selic a 14,24% ao ano em setembro de 2016, os juros médios de um financiamento imobiliário com taxas reguladas (para pessoa física) eram de 10,31% ao ano. Já em setembro de 2020, com a Selic a 2% ao ano, a taxa média de juros do mesmo tipo de operação chegava a 7,11% ao ano. Os dados são do BC

Veja nos dois gráficos a seguir como a tendência de queda da Selic ao longo dos últimos anos coincidiu com a descida dos juros médios para financiamentos de imóveis: 

Gráfico 1: Evolução da Taxa Selic  

Fonte: Banco Central

Gráfico 2: Evolução da taxa média de juros em financiamentos de imóvel com taxas reguladas

Fonte: Banco Central

Como calcular o spread bancário?

Para calcular o spread bancário, você precisa subtrair os juros médios praticados em um tipo de operação de crédito (quando o banco empresta dinheiro a alguém) e a média dos juros cobrados por esses bancos em produtos financeiros (poupança e CDBs). Vale lembrar que essa conta deve considerar as taxas praticadas no mesmo período

Digamos que os juros pagos pelo banco A para investidores atingiram uma média de 5% ao ano em abril. Já os empréstimos pessoais tinham juros médios de 50% ao ano no mesmo período. Para esse tipo de operação, o spread do banco A foi de 45 pontos percentuais. 

De acordo com o Banco Central, o spread bancário médio das operações de crédito no país era de 15,53 pontos percentuais em fevereiro de 2021. Isso quer dizer que é de 15,53 pontos percentuais a diferença entre os juros cobrados por empréstimos e operações de crédito e os juros pagos a investidores.

Esse valor já foi menor recentemente (chegou a 14,25 pontos percentuais em setembro de 2020), mas manda mais baixo que no início de 2020 (fevereiro registrou 18,51 pontos percentuais) e em anos anteriores. 

Spread bancário no Brasil: por que ele é considerado alto?

Existe um debate grande em torno do spread bancário no Brasil. Alguns especialistas apontam a falta de concorrência entre os bancos como determinante para um spread alto. Por outro lado, os próprios bancos defendem que a inadimplência, impostos e uma série de custos contribuem para esse resultado. Vamos ver abaixo alguns fatores que contribuem para a diferença entre juros pagos e cobrados:

  • Impostos: os bancos também precisam pagar tributos, e o valor do spread cobre esses custos. Eles incluem o Imposto de Renda, PIS (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), além do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras)
  • Despesas gerais: os bancos precisam manter suas agências abertas, pagar funcionários, serviços de limpeza e segurança, manutenção dos serviços digitais e outros gastos básicos para suas atividades de rotina
  • Lucro: como o banco não é uma instituição filantrópica, ele espera sempre obter lucro com suas operações
  • Inadimplência: os juros pagos por quem honra suas dívidas acabam cobrindo os “rombos” de quem deixou de pagar as parcelas devidas ao banco. De acordo com o Banco Central, a inadimplência da carteira de crédito para pessoas físicas atingiu 2,97% em fevereiro de 2021. Chegou a passar de 4% em abril de 2020, na fase inicial da pandemia de Covid-19
  • Concorrência: especialistas acreditam que falta competição entre os bancos brasileiros, o que prejudicaria o consumidor. Um estudo do Banco Central de 2019 aponta que cidades onde há redução do número de bancos “experimentam elevação do spread de empréstimos e recuo do volume de empréstimos”. A pesquisa conclui então que “a baixa concorrência tende a elevar o custo do crédito”

Conte com a ajuda de especialistas para financiar 

O que é taxa de spread, como funcionam os juros, como é calculado o valor das parcelas…muitas são as questões que surgem na hora de fazer um financiamento imobiliário. É uma operação com alguma burocracia envolvida e muitos detalhes. Então, por que não contar com o suporte especializado de profissionais que entendem do assunto?

Na Loft Cred você financia com auxílio personalizado em custos adicionais. Nossa equipe vai ajudar você a identificar a proposta de crédito mais vantajosa para a sua realidade entre os nossos bancos parceiros (os principais do país). “Nosso papel é identificar o perfil do cliente e alinhar qual é o melhor banco para aquele perfil”, resume Rafael Godoi, especialista em financiamentos da Loft Cred. 

Depois disso, vamos orientar você e ajudá-lo com a documentação e formulários obrigatórios ao longo de todo o processo. Quem é leigo pode ficar confuso com as condições oferecidas pelos bancos e fazer um mau negócio ao financiar sozinho. Também pode ter algumas dificuldades com a burocracia da operação. 

Por isso, não corra riscos ao comprar uma casa nova: financie com a Loft Cred e tenha mais segurança e as melhores taxas